um pulmão insaciado

de claridade.

 

As praias!

 

Quando o mar insone vem rebrilhando nas horas

até invadir no corpo uma antiga saudade.

 

Quando o mar lentamente nos invade

e em silêncio nos queima toda a pele

e outro alento nasce,

outra luz sobre as têmporas

abolindo todo o clima de sombra,

outro vento que entra no coração nu

como a pulsação de uma nova pureza.

 

Quando o mar nos descobre a existência invisível

de um abismo no corpo;

um remoinho frio que se inclina no tempo,

o horizonte marinho como um lábio interior

que em nós estremece,

a visão de um destino

sentido como um relâmpago nas veias.

 

As praias!

 

Quando a terra e o corpo e o mar

são invadidos pela luz,

e nascem contra a morte,

as praias,

como se o tempo nevasse eternamente

sobre uma pátria nova:

território feliz,

alta beleza,

incessante vida.