Ghjacumu Thiers

 

Una cuntribuzione di u nostru attellu di traduzzione puetica chì porta nantu à un testu di G.Thiers

Isse parulle ancu à dì

(G.Thiers 1985)

 

Ti aghju da dì

una funtana chjara appesa à lu me sguardu

aprile ci si ghjoca cù i canti di l’acqua

u pullone si incanta di tanta forza nova

Ti aghju da dì

e centu fole ardite ch’ella sumena l’ombra

quandu agostu infrebbatu si avvampa in li so sciali

per l’omu insischitu à l’orlu di e stonde

 

Ti aghju da dì

a cennera di inguernu si piatta in le so brame

è u core ammattatu allenta i so slanci

dumane venerà u fiore à l’amandulu

Ti aghju da dì

un isulottu postu in un ciottu di l’onda

accerta pianu pianu a forma di e so sponde

in quella voce mora amparendu u so nome

 

Ti aghju da dì

sopra à stu muru bughju hè spuntata un’arietta

vole parlà di machja è di amore è di mondi

è canta à u crede e parulle ancu à dì.

 

 


 

 

Ces mots qu'on n'a pas dits

Traduzzione di Elena Bonerandi

 

Je vais te dire

une fontaine claire pendue à mon regard

Avril s'y égaye avec les chants de l'eau

le chaton se régale de tant de force neuve

Je vais te dire

les cent contes hardis que l'obscurité sème

lorsque l'août enfiévré arde dans ses délices

pour l'homme qui se trouble au seuil de ses émois

Je vais te dire

la cendre de l'hiver cache ses nostalgies

et le coeur assourdi ralentit ses élans

l'amandier demain aura sa fleuraison

Je vais te dire

un tout petit bout d'île mis dans un creux de l'onde

assure tout doucement la forme de ses bords

en apprenant son nom en certaine voix maure

Je vais te dire

par dessus ce mur sombre pointe un air de printemps

il veut dire le maquis et l'amour et les mondes

et chanter à l'espoir les mots qu'on n'a pas dits

 

 


 

 

Essas palavras por dizer

Traduzzione di Luciano Maia

 

Hei de te dizer

   uma fonte clara pendida do meu olhar

   abril nos chega com os cantos da água

   o bichano se encanta com tanta força nova

 

Hei de te dizer

   centenas de estórias semeadas pela sombra

   quando agosto febril arde em suas delícias

   para o homem estremecendo à beira da emoção

 

Hei de te dizer

   as cinzas de inverno se guardam em suas inquietações

   e o coração ensurdecido diminui sua pulsação

   amanhã virá a floração da amendoeira

 

Hei de te dizer

   uma ilhazinha situada numa cavidade de onda

   certifica-se devagar da forma dos seus contornos

   e naquela voz morena vai aprendendo o seu nome

 

Hei de te dizer

   sobre esse muro escuro perpassa uma brisa

   quer falar de bosques ocultos e do amor e de mundos

   e canta a crença nas palavras ainda por dizer

 

 


 

 

Essas palavras ainda por dizer

Traduzzione di de Rosa Alice Branco

 

 

1-prima versione

Queria dizer-te

uma fonte clara pendida no meu olhar

Abril aí se joga com os cantos da água

O amentilho encanta-se com tanta força nova

Queria dizer-te

as mil histórias ousadas que a sombra semeia

quando Agosto febril arde em deleite

para o homem inquieto no limiar do instante

Queria dizer-te

as cinzas do Inverno escondem um desejo em fogo

e o coração adormecido arrasta o seu pulsar

amanhã brotarão as flores da amendoeira

Queria dizer-te

um ilhota colocada no côncavo da onda

apura lenta lenta a forma do contorno

naquela moura voz vai aprendendo o nome

Queria dizer-te

sobre este muro sombrio desponta uma ária de ar

quer falar das revoltas e do amor e dos mundos

e canta a crença nas palavras ainda por dizer.

 

 

2-seconda versione

Quero dizer-te

uma fonte clara pendida no meu olhar

Abril aí se joga com os cantos da água

o renovo encanta-se com tanta força nova

Quero dizer-te

as mil histórias ousadas que a sombra semeia

quando Agosto febril vai ardendo em deleite

para o homem transido no limiar do instante

Quero dizer-te

as cinzas do Inverno escondem-se no seu rubro

e o coração amolecido abranda o fulgor

amanhã brotarão as flores da amendoeira

Quero dizer-te

um ilhota colocada no côncavo da onda

apura lentamente a forma dos seus bordos

naquela moura voz vai aprendendo o nome

Quero dizer-te

sobre este muro sombrio desponta uma arieta

quer falar das revoltas e do amor e dos mundos

e canta a crença nas palavras ainda por dizer.

 

 

3-versione definitiva

 

Quero dizer-te

uma fonte clara pendida no meu olhar

Abril aí se joga com os cantos da água

o renovo encanta-se com tanta força nova

Quero dizer-te

as mil histórias ousadas que a sombra semeia

quando Agosto febril vai ardendo em deleite

para o homem transido no limiar do instante

Quero dizer-te

as cinzas do Inverno escondem-se no seu rubro

e o coração amolecido abranda o fulgor

amanhã brotarão as flores da amendoeira

Quero dizer-te

um ilhota colocada no côncavo da onda

apura lentamente a forma dos seus bordos

naquela moura voz vai aprendendo o nome

Quero dizer-te

sobre este muro sombrio desponta uma arieta

quer falar das revoltas e do amor e dos mundos

e canta a crença nas palavras ainda por dizer.